Ardência, sensação de areia nos olhos, vermelhidão e visão embaçada ao longo do dia são sintomas que muitas pessoas passaram a considerar “normais”. No entanto, esses sinais podem indicar a doença do olho seco, um problema cada vez mais comum na população.
Nos últimos anos, o número de pessoas com sintomas de olho seco aumentou significativamente. O uso intenso de telas, o envelhecimento da população, a exposição à poluição, os ambientes climatizados e algumas condições de saúde estão entre os fatores que contribuem para esse crescimento.
Embora, na maioria dos casos, não represente uma ameaça imediata à visão, a doença do olho seco pode causar desconforto, comprometer a qualidade visual e afetar atividades do dia a dia, como trabalhar, dirigir e ler.
Neste artigo, você vai entender o que é a doença do olho seco, quais são suas principais causas, como reconhecer os sintomas e quando procurar um oftalmologista.
O que é a doença do olho seco?
A doença do olho seco é uma enfermidade multifatorial da superfície ocular caracterizada pela perda da estabilidade do filme lacrimal. Isso pode acontecer quando os olhos produzem poucas lágrimas, quando as lágrimas evaporam rapidamente ou quando ambos os fatores ocorrem ao mesmo tempo.
As lágrimas desempenham um papel essencial na saúde ocular. Elas ajudam a manter a superfície dos olhos lubrificada, protegem contra agentes infecciosos, contribuem para a nutrição da córnea e favorecem uma visão nítida.
Quando a quantidade ou a qualidade da lágrima é inadequada, a lubrificação deixa de ser suficiente, provocando desconforto e irritação.
Por que a doença do olho seco está cada vez mais comum?
Diversos fatores ajudam a explicar o aumento dos casos de olho seco.
Um dos principais está relacionado ao uso prolongado de computadores, celulares e tablets. Durante essas atividades, a frequência do piscar diminui, favorecendo a evaporação das lágrimas e aumentando os sintomas de ressecamento ocular, especialmente em pessoas predispostas.
Além disso, outros fatores também podem contribuir para o desenvolvimento da doença, como:
- Permanecer muitas horas em ambientes com ar-condicionado;
- Exposição frequente à poluição, fumaça e vento;
- Envelhecimento natural;
- Alterações hormonais, principalmente após a menopausa;
- Uso de determinados medicamentos;
- Uso prolongado de lentes de contato;
- Algumas doenças autoimunes, conforme avaliação médica.
Como consequência, um número cada vez maior de brasileiros relata sintomas relacionados ao olho seco.
Quais são os sintomas do olho seco?
Os sintomas variam de intensidade e nem sempre aparecem ao mesmo tempo.
Entre os mais frequentes estão:
- Ardência nos olhos;
- Sensação de areia ou de corpo estranho;
- Vermelhidão;
- Sensação de ressecamento;
- Sensibilidade à luz;
- Visão embaçada que melhora após piscar;
- Lacrimejamento excessivo;
- Cansaço visual.
Embora pareça contraditório, pessoas com olho seco também podem apresentar excesso de lágrimas. Isso acontece porque o organismo tenta compensar a irritação produzindo lágrimas reflexas, que possuem composição diferente da lágrima natural e nem sempre conseguem lubrificar adequadamente a superfície ocular.
Quem tem maior risco de desenvolver olho seco?
Qualquer pessoa pode desenvolver a doença. Entretanto, alguns grupos apresentam maior predisposição.
Entre eles estão:
- Pessoas acima dos 50 anos;
- Mulheres, especialmente após a menopausa;
- Usuários frequentes de computadores e dispositivos móveis;
- Usuários de lentes de contato;
- Pessoas expostas por longos períodos ao ar-condicionado;
- Pacientes com algumas doenças autoimunes;
- Pessoas que utilizam determinados medicamentos sob orientação médica.
Ter um ou mais fatores de risco não significa que a doença irá se desenvolver, mas reforça a importância das consultas oftalmológicas periódicas.
O uso de telas piora o olho seco?
Sim.
Embora o uso de telas não seja a única causa da doença, permanecer muitas horas utilizando computadores, celulares e tablets reduz significativamente a frequência do piscar.
Como consequência, a lágrima evapora mais rapidamente, favorecendo o aparecimento ou a intensificação dos sintomas.
Por esse motivo, especialistas recomendam fazer pausas regulares durante o uso prolongado de dispositivos eletrônicos.
Uma orientação bastante conhecida é a regra 20-20-20:
- A cada 20 minutos;
- Olhe para um objeto localizado a aproximadamente 6 metros de distância;
- Durante pelo menos 20 segundos.
Além disso, lembrar de piscar conscientemente ao utilizar telas também ajuda a manter os olhos mais lubrificados.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é realizado pelo oftalmologista por meio da avaliação clínica e de exames específicos.
Além de investigar os sintomas, o especialista pode avaliar:
- A quantidade de lágrimas produzidas;
- A estabilidade do filme lacrimal;
- A saúde da superfície ocular;
- A presença de inflamação ou alterações nas glândulas das pálpebras.
Esses exames permitem identificar a causa do problema e orientar o tratamento mais adequado para cada paciente.
Como tratar a doença do olho seco?
O tratamento depende da causa e da intensidade dos sintomas.
De acordo com cada caso, o oftalmologista poderá indicar:
- Lágrimas artificiais (colírios lubrificantes);
- Higiene das pálpebras, quando indicada;
- Medidas para reduzir a evaporação das lágrimas;
- Controle da inflamação da superfície ocular, quando necessário;
- Mudanças nos hábitos diários e no ambiente;
- Tratamento de doenças associadas.
É importante evitar a automedicação, pois nem todos os colírios são indicados para todos os pacientes.
É possível prevenir o olho seco?
Nem todos os casos podem ser evitados. No entanto, alguns hábitos ajudam a reduzir os sintomas e favorecem uma melhor saúde ocular.
Entre eles:
- Fazer pausas durante o uso de telas;
- Piscar com mais frequência;
- Manter uma boa hidratação, como parte de um estilo de vida saudável;
- Evitar exposição direta ao vento e ao ar-condicionado sempre que possível;
- Utilizar lentes de contato conforme orientação do oftalmologista;
- Realizar consultas oftalmológicas regularmente.
Embora esses cuidados contribuam para o conforto ocular, o tratamento da doença depende da causa de cada caso e deve ser orientado por um oftalmologista.
O papel dos óculos no conforto visual
Os óculos não tratam a doença do olho seco. Entretanto, quando utilizados para corrigir erros refrativos, como miopia, hipermetropia, astigmatismo ou presbiopia, ajudam a reduzir o esforço visual durante as atividades diárias.
Além disso, pessoas que passam muitas horas utilizando computadores e dispositivos digitais podem se beneficiar de lentes desenvolvidas para proporcionar maior conforto visual, sempre conforme a orientação do oftalmologista.
Após a consulta médica, escolher lentes e armações adequadas contribui para uma experiência visual mais confortável.
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Perguntas frequentes
O olho seco pode desaparecer sozinho?
Em casos leves, os sintomas podem melhorar com mudanças de hábitos e redução da exposição aos fatores desencadeantes. Entretanto, quando persistem, é importante procurar um oftalmologista para identificar a causa e indicar o tratamento adequado.
Quem usa computador tem mais chance de desenvolver olho seco?
Sim. O uso prolongado de computadores, celulares e tablets reduz a frequência do piscar, favorecendo a evaporação das lágrimas e aumentando os sintomas, especialmente em pessoas predispostas.
O olho seco pode causar visão embaçada?
Sim. A instabilidade do filme lacrimal pode provocar visão embaçada temporária, que muitas vezes melhora após piscar.
Lentes de contato aumentam o risco de olho seco?
Podem aumentar os sintomas em algumas pessoas. Por isso, é importante seguir corretamente as orientações do oftalmologista quanto ao uso, ao tempo de utilização e aos cuidados com as lentes.
Beber mais água ajuda a tratar o olho seco?
Manter uma boa hidratação faz parte de um estilo de vida saudável e pode contribuir para o funcionamento adequado do organismo. No entanto, a ingestão de água, isoladamente, não trata a doença do olho seco. O tratamento depende da causa e deve ser orientado por um oftalmologista.